
A EVA Cartonera é uma editora não convencional, que se dedica à publicação de livros artesanais, seguindo a filosofia cartonera de edição ao utilizarmos capas de cartão reciclado, recortes de revistas e outros materiais reaproveitados para a manufactura de cada livrinho, não tendo estrutura organizativa formal, nem fins comerciais, antes visando a promoção da leitura e a facilitação do acesso ao livro.
É em alinhamento com os princípios cartoneros que nasce, em Setembro de 2019, a EVA Cartonera, assim baptizada por ter inicialmente como parceira a ADAO – Associação de Desenvolvimento de Artes e Ofícios – Barreiro, Portugal.
Os livros são produzidos manualmente em “oficinas cartoneras”, abertas à participação das comunidades e gratuitas. Cada participante produz, pelo menos, um exemplar para a Editora e outro exemplar para si mesmo. Em cada oficina, os participantes dactilografam o miolo do livro, pintam e costuram as capas, podendo ainda ilustrar os textos.
Ainda em consonância com a alma cartonera, não nos movem fins comerciais, nem utilitários, visando apenas “promover o jogo criativo para tentar democratizar a palavra escrita e as práticas da leitura, de convidar à brincadeira” (Gaudério, 2016).
O movimento cartonero surgiu em 2003, no contexto da crise económica da Argentina, tendo-se rapidamente expandido por toda a América Latina e chegado muito recentemente à Europa.
As editoras cartoneras caracterizam-se não só pelos métodos de produção artesanal de livros, mas também pela independência face ao circuito económico editorial tradicional, pelo tipo de livros que publicam, por uma “estética do (in)desejável” (Lima, 2009) que as torna verdadeiros instrumentos de resistência e pela vontade de tornar a literatura mais acessível à população.
EQUIPA DA EVA CARTONERA
Helena Patrício (Coimbra, 1973) é bibliotecária em Lisboa e, nas horas vagas, “catadora” de palavras, frases e textos em livros, filmes, músicas, revistas e jornais. Estudou Direito, Ciências da Informação e Bibliotecas Digitais. Colabora regularmente com organizações culturais, dinamizando atividades que convidam à descoberta de novas ideias, experiências, sensações, vivências e sentimentos através da leitura. É investigadora no domínio do desenvolvimento de ontologias bibliográficas para a web semântica. Fundou um projeto de SpokenMusic, que combina o cancioneiro tradicional português com poesia, contos, lendas, fábulas e outras histórias.
Teresa Lança (Lisboa, 1971) é conservadora-restauradora em Lisboa e, no seu tempo livre, produz trabalhos em materiais diversos, como papel, tela e linha, sendo também uma leitora ávida, apaixonada pela música e pelas artes visuais. Estudou conservação e restauro, peritagem em arte, património e ciências da informação e documentação. Frequentemente faz ações de formação na área da salvaguarda do património cultural. É doutoranda e investigadora no domínio da gravura.
Dina Duque (Lisboa, 1966) é jurista; estudou música (guitarra clássica e improvisação musical), já cantou num coro, tocou ao vivo, fez workshops de desenho e teatro, desempenhou pequenos papéis no teatro e no cinema; de vez em quando, faz leituras encenadas e colabora em grupos de leitura; adora pintura; gosta de viajar, sobretudo para contactar com pessoas e conhecer outros modos de vida. Colabora frequentemente em movimentos associativos. Está a fazer um mestrado em estudos comparatistas e a participar na produção de um espetáculo.
Isabel Lança (Lisboa 1975) é professora do Básico 1º ciclo em Oeiras. Fez licenciatura em Artes decorativas Portuguesas. A sua formação em artes no liceu e formação inicial e o gosto por conhecer e praticar as várias técnicas e formas artísticas são uma realidade que está patente na forma como trabalha com os seus alunos. Os livros sempre fizeram parte da sua vida pessoal e profissional. São a base para iniciar ou desenvolver e comunicar com os alunos quer através dos textos quer através das ilustrações. Nos seus tempos livres dedica-se à leitura e criações artísticas
CONTACTO
DOSSIER DE APRESENTAÇÃO
REFERÊNCIAS
GAUDÉRIO, Gaudêncio (2016) – Vento Norte Cartonero: dois anos reinventando a palavra com papelão, tinta e um pouco de imaginação. Disponível em: https://www.facebook.com/notes/vento-norte-cartonero/vento-norte-cartonero-dois-anos-reinventando-a-palavra-com-papel%C3%A3o-tintas-e-um-p/1319897358061664/
LIMA, Andrea Terra (2009) – A estética do (in)desejável. Porto Alegre: UFRGS. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/21494/000737338.pdf?sequence=1&isAllowed=y